Ela é conhecida por escrever, ao lado do marido Alexandre Machado, roteiros para a TV (Os Normais, Separação, Os Aspones, O Sistema) e para o cinema (Os Normais 1 e 2, Bossa Nova) e como apresentadora dos programas Irritando Fernanda Young e e Saia Justa. Mas acima de tudo Fernanda é escritora, e também poeta.A originalidade já característica de seu trabalho também aparece em “Dores do Amor Romântico, seu primeiro e único livro de poemas.
Apesar do título não espere um livro de poemas românticos e delicados, não, Fernanda oferece o lado sombrio do amor, a face mais obscura que um coração pode ter. Na orelha, somos avisados que neste livro “o herói é o voluntarioso amor, exposto em toda sua coragem, precipitação e dor, e neste duelo ninguém é poupado.” E não é, nem o eu que escreve nem o eu que o lê.No poema de abertura ela nos alerta, que ser poeta é apenas uma fuga:
“É melhor continuar escrevendo
essas frases curtas, que assim amontoadas,
dão um ar de coisa pensada,
que nem é, sabe? nem é importante...
(...)
quando dá essa vontade louca de morrer, é bom
fingir ser um poeta. É. É melhor continuar escrevendo.”
Fernanda encara suas fragilidades sem medo de se mostrar, pois a poesia é feita pela verdade, não há ficção ou personagens. Há a própria F. Young exposta sem pudor:
“O problema é que sou tola e
carente,
mas não me deixo enganar,”
“Fernanda.
Má. Feia. Egoísta. Ladra. Invejosa.
Definitivamente desnecessária.
Então melhor
morta.”

A possibilidade da morte e do suicídio ronda todo o livro, porque a dor do amor romântico comprime toda vida e toda possibilidade de paz, o amor é feito para os fortes, e a mulher não é. Ela conversa com Sylvia Plath (Poeta americana que se suicidou em 1963 por não suportar o divórcio com o poeta Ted Hughes, seu grande amor).
S. Plath
Que cor tem a morte?
Doce amiga, que cor
tem o alívio da
partida?
(...)
Diga-me, para que
minha curiosidade
não me leve até você.
Ao longo do livro, há sempre uma crescente sensação de desespero e ansiedade, seguidos por breves momentos de alívio. Só que o alívio não compensa, se amar dói, não amar dói mais ainda, e é preciso remexer no passado para manter o pique:
“Quando um amor termina
tenho vontade de desenterrar
todos os outros, os já terminados
mil anos atrás”
E o pique é mantido.