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terça-feira, 15 de março de 2011

Mônica “Múltipla” Montone

Mônica Montone é dessas artistas que não cabem numa categoria só. Não é só a escritora que fala com humor e liberdade sobre os mais variados assuntos do universo feminino (nem sempre no estilo “papo de mulherzinha”) mas também é a poeta que escreve odes aos dias dos quais se ocupa vivendo. É também a cantora rockstar que sobe ao palco vestida de noiva e termina o show feito uma pin-up. Sem esquecer a atriz que corre por uma Copacabana noturna em seu curta-metragem e já atuou no teatro com Domingos de Oliveira. Sem falar que é apresentadora do Poesia no Sesi, produtora de programas do Canal Brasil, Psicóloga de formação e Blogueira fashionista.

Tamanhas versatilidade e energia vêm do fato de Mônica ser uma mulher de seu tempo, da geração que ouve Caetano e Shakira, que assiste Lelouch e Sex and the city, que lê Sartre e Jorge de Lima, que pensa e fala, que pinta e borda.

“No Varal

Minha alma foi pendurada no varal
enquanto minha calcinha escorria
a rima de um beijo bom

Eu não estava vestida de encontro
quando o chão se fez urgente
e me encontrou
mas estava polvilhada de baunilha
como um doce recém saído do forno
a espera a primeira mordida

Na rua ao lado, um assalto
Na memória, um sino
Na boca, rijos mamilos

A madrugada engorda meus sentidos
E faz o céu desabar num tom estranho
um tom que não há

Amanhece
e estou desidratada como uma pêra
exposta em demasia ao sol

Amanhece
E o que me resta é recolher minha alma
e pendurar a calcinha no varal.”



Em 2003 publicou o livro de poemas “Mulher de Minutos” pela editora Ibis Líbris. O poema título descreve-a como uma mulher que vêm sempre na contramão do que é esperado. Seus poemas são sensuais, ora ingênuos ora libertinos, mas sempre compostos de uma feminilidade irresistível e sedutora, como a própria escritora.


“CÉU

Enfeitei meu corpo de céu
E o sol se pôs em meu umbigo
Pintas viraram estrelas
Cabelo, fios de horizonte
Saliva, chuva
Peitos, lua
Enfeitei meu corpo de céu
Para fugir dos meus perigos
E o diabo atento aos detalhes
Tomou meu corpo como seu abrigo.”


(Mulher de Minutos, pág 9)

Criou o blog “Fina Flor” para expor suas idéias sobre todo tipo de assuntos, da literatura ao cotidiano, contendo crônicas e poemas e ultrapassando 300.000 acessos. Criou um segundo blog, onde deu vida à personagem Princesa Franciny, pra falar de moda, beleza e outras futilidades necessárias, e em menos de um ano atingiu a marca de 22 mil acessos. A escritora encontrou na internet a maneira mais ágil de divulgar suas idéias, conquistando um público fiel e amigo.


Como atriz, atuou em 2009 na peça “Apocalipse segundo Domingos de Oliveira” e teve seu desempenho descrito pelo diretor como “uma bomba atômica no palco”, também teve seu poema “Mulher de Minutos” transformado em curta-metragem:



A música floresceu em 2008, no show Sol na Boca que misturava música e poesia, junto aos poeta Claufe Rodrigues e Mano Melo. Depois disso formou a banda, gravou disco com composições próprias e parcerias afetivas, e teve seu videoclipe exibido na MTV Brasil.




Com tantas atuações não fica difícil entender porque defino Mônica como Múltipla. Eis uma artista no melhor sentido da palavra: a que mergulha inteira na arte custe o que custar.



Para conhecer o trabalho da moça basta acessar seu site oficial: http://www.monicamontone.com/



Texto: Hudson Pereira
Fotos: Patrícia Landim